terça-feira, 22 de novembro de 2016

MALDITA COCAÍNA OU... COCA A PLANTA SAGRADA.

Planta da Coca
   Consumidas há milhares de anos  pelos povos da América do Sul, as folhas do arbusto que dá pelo nome científico de Erythroxylum coca, vulgarmente Coca, poucos danos causaram aos consumidores até ao dia em que o mundo descobriu como extrair delas a Cocaína. A partir daí nada mais foi como dantes. Nem para os povos da região andina, nem sequer para os entusiastas consumidores ocidentais.
   Os Incas, ancestrais habitantes do planalto andino,   usavam há perto de 2000 anos a folha de Coca, quase exclusivamente em rituais sagrados. Isso era privilégio dos nobres, do "Uíllac Umu", o Feiceiro-que-Fala, o Adivinho e dos Sacerdotes.    As folhas de Coca exerciam um efeito extraordinário sobre as pessoas que as consumiam. Em poucos minutos, estavam eufóricas, enérgicas e imbuídas de uma fantástica sensação efémera de bem estar. Talvez se pudesse dizer que se embriagavam de folhas de Coca e, de certo modo, é assim, já que o seu efeito sobre o cérebro é muito semelhante ao do consumo do alcool. Com isto se criava o ambiente propício à prática de rituais de cura, magia e adivinhação.
Um Chasqui
   A chave para controlar e gerir o vasto império Inca, cujo centro nevrálgico era a cidade de Cuzco edificada nos Andes, a perto de 4 mil metros de altitude,  era um eficiente sistema de comunicações. Isso era conseguido graças aos "Chasquis", os mensageiros, uma espécie de carteiros da época, que faziam chegar eficazmente aos mais recônditos lugares, as mensagens urgentes. Eles eram os únicos homens do povo que podiam consumir folhas de Coca para obterem um efeito anorexiante ou seja, supressor da fome e para suportarem a sede e o cansaço. Estes homens estavam tão dependentes do consumo das folhas de Coca que as distâncias não se mediam em quilómetros mas em "cocadas"  o mesmo é dizer, a quantidade de folhas de Coca necessárias para percorrer uma determinada distância. Este estimulante permitia aos "chasquis" percorrerem grandes distâncias, transportando, numa espécie de mochila tecida em lã de "Vicuña", um mamífero semelhante ao Lhama, chamada "churpa",  uma carga igual ao próprio peso corporal do mensageiro, em pouco tempo, consumindo, como único alimento, uma pequena malga de papa feita com folhas de Coca, guardadas num pequeno saco a que davam o nome de "qipi". Este "alimento" permitia-lhes caminhar nas grandes altitudes andinas, em ambiente de oxigénio rarefeito, sem grande esforço.
   Durante milhares de anos foi assim. Contudo um acontecimento iria determinar, dramáticamente, o fim do conceito, quase sagrado, da utilização cerimonial da Coca. Foi a chegada dos missionários espanhois e dos traficantes de escravos. Os primeiros, tudo tentaram para fazer crer aos povos destas regiões que o consumo de folhas de Coca era uma prática demoníaca. Essa missão foi boicotada pelos traficantes, quando descobriram que podiam poupar dinheiro em alimentos se forçassem  os escravos a consumirem cada vez mais folhas de Coca, cuja planta crescia livremente na natureza. 
   À época, as grandes reservas mundiais conhecidas de prata situavam-se na América do Sul. Nessas minas foram forçados a trabalhar, em condições desumanas, homens, mulheres e crianças, alimentados quase que exclusivamente a folhas de Coca. Desgraçadamente, estas folhas, que outrora eram privilégio das elites, agora tornavam-se acessíveis à classe mais baixa dos povos andinos, passando, paradoxalmente, a contribuir para o seu definhamento e morte.  Só na década de 1620 morreram nas explorações mineiras mais de meio milhão de mineiros indígenas.
   Como seria de esperar, o hábito de consumo de folha de Coca, chegou rápidamente ao mundo Ocidental. Primeiro, os grandes proprietários, receptadores  dos escravos, que aprenderam que com folhas de Coca podiam poupar na alimentação dos seus trabalhadores, mantendo o mesmo ritmo de trabalho. Mais tarde, a alta sociedade também quis experimentar as delicias de uma nova aventura.
   Em 1855 Albert Niemann comunicou ao mundo científico da época que havia conseguido extrair da folha de Coca algo a que chamou "Cocaína", que exercia um efeito extraordinário sobre quem a ingerisse. Esta descoberta foi a porta que se abriu, definitivamente, para a introdução da Cocaína na vida quotidiana de ociosos endinheirados.
   Em 1863 o Químico italiano Angelo Mariani criou e começou a produzir comercialmente uma bebida feita à base de folhas de Coca a que deu o sugestivo nome de Vinho Mariani. Os efeitos desta beberagem eram potenciados pela presença de ácool etílico e Cocaína, actuando como estimulador do sistema nervoso central, muito parecido com o efeito produzido pelo consumo de Cocaína pura. Eram-lhe atribuidas diversas propriedades medicinais e até os papas Pio X e Leão XIII foram consumidores convictos, tendo mesmo este último atribuído uma medalha honorífica a Angelo Mariani e consentido que a sua imagem ficasse associada à publicidade da marca.
Vinho de Coca Maltine
   As grandes empresas da época deixaram-se levar por esta nova onda, como por exemplo a Maltine Manufacturing Company, que produzia o Vinho de Coca Maltine. 
   Mas não foi só a industria europeia da época a produzir bebidas à base de folhas de Coca.  A The Coca-Cola Company, com sede em Atlanta, nos Estados Unidos, produziu e comercializou uma bebida, inicialmente para fins terapeuticos. Tudo começou quando o farmaceutico John Pemberton, de Atlanta, decidiu criar o seu próprio vinho de Coca. Para tanto deixou folhas de Coca a macerar em vinho tinto de qualidade durante 6 meses. Foi um exito absoluto! Quando  as bebidas alcoólicas foram proibídas dos Estados Unidos, ele apresentou um sucedânio sem alcool, elaborado com numerosos ingredientes, entre os quais, Cocaína e Cafeína de noz de Cola. 
   Até o obeso Marechal alemão Hermann Goering comandante da Luftwaffe, a força aérea alemã, mascava folhas de Coca numa tentativa, falhada, para emagrecer.
Comprimidos para o tratamento da dor de dentes
 Numerosas personalidades quiseram experimentar os prazeres proporcionados pela droga da moda.  Um deles foi o psicanalista Sigmund Freud. Consumiu-a ele próprio e consta que a prescrevia aos seus pacientes. O oftalmologista Carl Koller (1884) aplicava gotas de Cocaína nos olhos dos pacientes antes de serem operados.
   As práticas de Freud terão levado a industria farmaceutica da época a produzir diversos medicamentos cujo principio activo era a Cocaína, para tramento das mais diversas patologias.
   A comercialização livre da Cocaína acabaria por ser proíbida nos Estados Unidos, por um motivo que teve mais a ver com o ódio racista que se vivia na sociedade americana da época, do que por razões de saúde pública. O argumento foi que os negros enlouquecidos pelo consumo de Cocaína, atacavam as mulheres brancas do Sul.

sábado, 18 de abril de 2015

PLANTAS QUE CURAM PLANTAS - O ALHO

O Alho é uma planta multifacetada. Medicinal, condimentar, aromática, E também insecticida, fungicida e acaricida, usada em Agricultura Biológica, no combate de pragas e doenças das plantas.
O principio activo do Alho é a alicina, que se forma quando é esmagado. Esta substância é  responsável pelo seu cheiro característico. A alicina rapidamente se transforma em outros compostos sulfúricos, com as tais propriedades propriedades atrás referidas atrás.

O ALHO COMO INSECTICIDA, FUNGICIDA E ACARICIDA.

DECOCÇÃO:
Submergir 100 gramas de alho picado em 1 litro de água, levar ao lume e deixar ferver. Desligar e deixar em infusão durante uma hora. Deixar arrefecer.
Utilizar puro, em rega directa, na prevenção de  doenças de origem fúngica como é o caso do Pé
Negro (Pythium debaryanum), uma doença que ataca inúmeras hortícolas, aliás o género  de fungo Pythium tem diversas variedades que atacam as raízes alterando a sua coloração (de castanho claro até castanho escuro), atingindo gradualmente toda a planta, acabando por
provocar a sua morte.
Feijoeiro atacado por Pythium
Raiz acastanhada de planta atacada por Pythium
Se a solução acima referida for aplicada sem diluição, por pulverização é eficaz na prevenção da Lepra do Pessegueiro (Taphrina deformanse), com a primeira aplicação a ser feita na queda da folha, no Outono e depois 3 ou 4 aplicações periódicas até ao surgimento dos gomos florais. Também é eficaz no tratamento da  Podridão Cinzenta do Morangueiro (Botritis cinerea)
Pessegueiro atacado por Lepra

Podridão Cinzenta do Morangueiro



MACERAÇÃO OLEOSA:
Picar 100 gramas de Alho, pôr em maceração durante 12 horas em 2 colheres de sopa de óleo de Linhaça. Filtrar e acrescentar 1 litro de água. Deixar repousar durante uma semana. Diluir a 5% (5 litros de produto em 100 litros de água ou a proporção correspondente) e pulverizar. 
É eficaz contra pulgões e ácaros. Repele animais herbívoros que se se alimentam das plantas.

sábado, 14 de março de 2015

ESTRANHO, ADMIRÁVEL, MÁGICO, MAL-CHEIROSO... O ALHO!

Dá-se pelo nome científico de Allium sativum.  É aparentado com a Cebola e com o Cebolinho. Ninguém lhe conhece a origem exacta, contudo, crêem os estudiosos que terá a sua origem na Ásia, tendo sido daí levado para o Egipto e a seguir para a Europa. Também há quem diga que surgiu na Sicília, Sul da Itália, o único lugar do mundo onde o Alho nasce espontaneamente.
"Alho" é uma palavra de origem celta, all. que significa picante, acre.
O Alho é usado desde a mais remota antiguidade, não tanto como alimento propriamente dito, mas mais como condimento. Da sua utilidade como tempero já tudo foi dito. Não iria acrescentar nada de novo. No que respeita às suas virtudes como planta medicinal, também pouco mais há a dizer.
No entanto, esta planta ainda nos pode surpreender quando nos debruçamos sobre a sua história desde a antiguidade até aos nossos dias.
Desde sempre, o Alho esteve presente na vida das comunidades humanas, não só como componente importante na sua dieta alimentar, como remédio,  mas também como instrumento de práticas religiosas em que se confundem rituais satânicos e superstição.
Todos os males para os quais a medicina tradicional não encontrava cura, entravam no conceito de doenças mágicas, provocadas por castigo divino ou intervenção do demónio e aí era a área de acção do curandeiro, do exorcista, do feiticeiro. 
Uma das práticas mágicas mais temidas pelos homens é, sem dúvida, o feitiço. O seu rasto pode ser seguido desde os alvores da humanidade até aos nossos dias. O feiticeiro ancestral ou Maleficus, tinha ao seu dispor todo um arsenal de ingredientes, roupas, cabelos, unhas, etc do paciente. Para potenciar os efeitos da prática, o feiticeiro usava aquilo que se designa por "amuletos verdes", produtos de origem vegetal, entre os quais o Alho assumia papel relevante como planta protectora contra qualquer maldição.
Colher 7 alhos, prende-los com um barbante e usá-los pendurados ao pescoço durante 7 sábados, era garantia de protecção vitalícia, contra o mau-olhado, a inveja e a amarração. Uma espécie de "seguro de vida"... Os marinheiros usavam-no, quando embarcados, para se protegerem das tempestades. Também os soldados da Idade Média o levavam consigo quando iam para o campo de batalha, na crença de que a sua coragem e força aumentariam.  À porta das casas era comum verem-se molhos de cabeças de Alho quando se pretendia afastar visitas indesejadas, o mau-olhado e a inveja. 
No domínio do terror, atribui-se ao Alho a capacidade de afastar os vampiros. Diz a lenda que a um vampiro decapitado se devia encher a boca de Alho pisado. Na cultura dos povos eslavos esta planta era usada para identificar vampiros. Nas igrejas, quem se recusasse a comer um dente de Alho era possuído do demónio,  pela certa. Quem não se lembra dos filmes terríveis do Conde Drácula...
No antigo Egipto era possível comprar-se um escravo saudável com 7 quilogramas de Alho. 
Já no plano das mezinhas, era crença que o Alho protegia da hepatite. Para tanto bastava pendurar ao pescoço, em um barbante, 13 dentes de Alho durante 13 dias. Ao décimo terceiro dia, num cruzamento, tirava-se o colar do pescoço, jogava-se para trás e fugia-se desalmadamente sem olhar para a retaguarda...
Nero, imperador de Roma, era um compulsivo consumidor de Alho crú com  o objectivo de melhorar os seus supostos dotes oratórios. 
No nosso Alentejo, em certas zonas rurais, há um antigo remédio popular contra a a constipação, que consiste em moer alguns dentes  de Alho e colocá-los numa bolsinha de pano à cintura, a que se dá o nome de "boneca de Alho".
Contudo, a ingestão desta planta, tem o inconveniente do desagradável cheiro que liberta. Por decreto real, Afonso XIV de Castela, proibiu as pessoas que tivessem comido Alho de se aproximarem dele, devido ao odor no hálito e no corpo. Também Shakespeare recomendou aos seus actores que deviam evitar este condimento para não desagradar à plateia...
Nos Estados Unidos há restaurantes que usam apenas o Alho como condimento. É o caso do badalado The Stinking Rose, literalmente "A Rosa Fedida", ou mal-cheirosa... Só neste estabelecimento são consumidos mais de uma tonelada de Alho por mês.
Para terminar esta prosa que já vai longa, só uma breve referência a um parente da família dos Alhos: O Alho-Porro ou Alho-Francês. Allium porrum. dizem os botânicos. Usado nos festejos da noite de S. João, na portuguesíssima cidade do Porto. Segundo o historiados Germano Silva, o seu uso protege os utilizadores dos males de inveja e mau-olhado...

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

UM SOPRO DE VIDA





"É tão bom ser pequenino
Ter Pai. ter Mãe, ter Avós.
Ter esperança no destino
E ter quem goste de nós."


Descobri esta esta velha fotografia, com perto de 70 anos no baú das minhas memórias.
Nela está o meu Pai com os 3 filhos. A Lena de cabelos pretos, a Milucha franzina... e eu sentado ao colo dele. Ao olhar para ela, deixei-me invadir por uma saudade imensa. Senti-me reportado para um passado longínquo que já não volta mais. 
O meu Pai, Homem bom,  já partiu. A Milucha, minha companheira de aventuras, também. Este é um daqueles momentos de um frio tão cortante, tão vazio, de um insuperável sentimento de perda, que me assombra.
Tantos anos se passaram e agora, no Outono da vida, velho e cansado, penso que a perda é o lado da vida que se não pode negociar. É o momento em que aprendemos, incondicionalmente, que nenhum poder temos sobre as coisas que alguma vez pensávamos controlar. 
Afinal, pelo terrível triunfo da partida, pela mágoa da ausência, pelos sonhos que se não cumpriram e, se alguma coisa pode servir de lenitivo, ao olhar para estas pessoas e para este tempo, é sentir que sim, pelo menos uma vez, por ter partilhado estas vidas,  confesso que fui feliz!



quarta-feira, 1 de outubro de 2014

PLANTAS QUE MUDARAM A HISTÓRIA UNIVERSAL - AS SUPER PLANTAS

O FETO

Esta é uma das plantas mais antigas do mundo. A sua origem remonta ao Período Carbonífero, há, aproximadamente, 335 milhões de anos. Nessa época, a massa continental era constituída por aquilo que podemos chamar de super-continente, a Pangea - do grego: "todas as terras". Esta massa imensa de terra era plana, lamacenta  e sujeita a grandes inundações quando os glaciares do hemisfério Sul derretiam. Se pudéssemos fazer um retrocesso no tempo e viajar até esse passado remoto, iríamos encontrar, no que ao mundo vegetal diz respeito, os antepassados das espécies vegetais que hoje conhecemos. Entre essas plantas, poderíamos, por exemplo, encontrar o Equisetum, "progenitor" da conhecida Cavalinha (Equisetum arvense), só que... com uma diferença significativa no tamanho. A Cavalinha dos nossos dias é uma espécie vegetal que, raramente, atinge um metro de altura. O Equisetum do Carbonífero alcançava a espantosa altura de 18 metros.
Fetos tal como os conhecemos hoje.
Quanto ao Feto, existem actualmente inúmeras subespécies, algumas com uma altura razoável, caso dos fetos arbóreos da Mata do Bussaco, contudo, essas são excepções. A regra, aquilo que encontramos quando deambulamos pelos vales húmidos ou margens de linhas de água, são exemplares de pequenas dimensões. No Carbonífero não era assim. Exemplares gigantescos, com mais de 10 metros de altura, cobriam as imensas planícies. A sua "copa" plumosa erguia-se em busca dos raios solares. Quando estes espécimes vegetais morriam, convertiam-se em composto primeiro, depois numa turfa negra. Enterrando-se cada vez mais no terreno lamacento, pela acção de sucessivas inundações e de uma cada vez maior pressão, esta massa informe foi-se transformando em estratos ricos em carbono carregado de energia negra latente.
Esta massa compacta e negra é o carvão mineral tal como o conhecemos hoje. Ela
permitiu que, por exemplo, os Estados Unidos, se transformassem numa super potência. Hoje cumpre essa mesma missão numa outra grande nação: a China. Contudo, esta mesma fonte de energia, que fez povos prosperarem até um ponto cujo limite é o infinito, é também a causa da maior catástrofe que o mundo actual enfrenta; as alterações climáticas.
O ser humano tardou em aprender a aproveitar a imensa energia que os fetos e outras plantas haviam armazenado ao longo de milénios. (Na verdade, os homens estavam mais acostumados a explorar o que se encontrava à superfície), mas, quando o fez, esse consumo foi exponencial. Toda essa imensa massa vegetal soterrada há milhares de anos começou a proporcionar fama e fortuna. Como é o caso de James Watt, matemático e engenheiro escocês, que se destacou pelos melhoramentos que introduziu na máquina a vapor, que acabaria por ser fundamental para a Revolução Industrial. Outro tanto se passaria com George Stephenson,
construtor das primeiras locomotivas a vapor.  Nações inteiras ficaram dependentes dos benefícios (e também dos malefícios...) proporcionados pelo carvão e mais tarde pelo petróleo. Todas as grandes unidades industriais da época eram alimentadas a carvão. Imensas nuvens de fumo sulfúreo cobriam as cidades. Londres, na época Vitoriana, especialmente no Inverno, era o exemplo disso,  como se pode ver nesta tela de Claude Monet (1904).
Nesta obra de Claude Monet (1904) podemos
ver imenso manto de nevoeiro contaminado
que cobre a cidade de Londres.
Aos poucos, os governos foram tomando consciência do problema grave que representava a degradação do ambiente. Normas restritivas foram, aos poucos, limpando o ar das cidades. Porém o problema manteve-se e o mundo, estupefacto,  contemplou as imagens do planeta Terra, vindas do espaço. O intenso azul que envolvia a Terra ocultava outro problema. A combinação da combustão de de combustíveis fosseis - carvão e petróleo - e a libertação de gaz metano estava destruindo a camada de ozono que protege o planeta Terra da radiação ultravioleta do Sol.
A menos que os governos das nações consigam travar esta orgia desmedida de consumismo desenfreado de combustíveis fosseis, o nosso legado às gerações futuras, deixa muito a desejar.

sexta-feira, 7 de março de 2014

E, DE REPENTE, O ALENTEJO FLORIU...

Parece que a terra estava ansiosa por um raio de sol. De repente, os campos do Alentejo, cobriram-se de flores. Uma prenda para a alma!







"Se pudesse voltar atrás,
começaria descalço, numa manhã
de Primavera, e manter-me-ia assim
até envelhecer...
Dançaria muito mais,
andaria mais de carrossel,
colheria mais margaridas."










"A Natureza ensina-nos que precisamos do caos para compreender o significado da harmonia.
Precisamos do Inverno para compreender a Primavera"













"A velha alegria murcha e fenece.
Porém, vejamos bem!
Há um manto verde
cobrindo a terra...
O frágil começo 
de um mundo melhor!"












"Na Natureza aprendemos a aceitar a presença do bom ao lado do mau.
No entanto, às vezes temos de aceitar o facto que chegou a hora de arrancar algumas ervas daninhas."







"A Natureza prova-nos que não somos nós que controlamos o mundo: É Deus. Mas Deus conta connosco para o ajudarmos a fazer qualquer coisa de maravilhoso no jardim das nossas vidas."









"No mais profundo de nós existe um surpreendente santuário da alma, um centro divino, um voz que nos fala.
A Vida nesse âmago está repleta de poder.
É serena, é maravilhosa, é radiante!"








"É possivel que tenhamos de atravessar "cinza e mais cinza, poeira e mais poeira", mas, pelo caminho, deparar-nos-emos com algumas maravilhas incríveis"














"Cada pequena erva,
cada folha,
cada pétala, cada nenúfar, 
é uma inscrição
que nos fala de esperança."
















"Para ti a paz profunda
das águas correntes.
Para ti a paz profunda
do fluxo de ar.
Para ti a profunda paz
da terra em silêncio.
Para ti a profunda Paz
das estrelas luzidias.
Para ti a profunda Paz
do filho da Paz!"






sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

O MUNDO MÁGICO DAS PLANTAS - A BOTÂNICA FUNERÁRIA

O mundo mágico e oculto das plantas não se circunscreve às mezinhas e benzeduras, à prática de rituais que envolvem a magia e a feitiçaria. Há um campo que talvez passe despercebido, de tal maneira está entranhado na nossa vivência diária. Refiro-me à relação do mundo vegetal com uma das grandes incógnitas da existência humana: a morte.
Ciprestes na entrada do Cemitério de Arrentela - Seixal
A sua forma longilínea lembra dedos apontando os céus,
Quase todas as culturas utilizam as plantas para celebrar a morte. Estranhamente, raro é alguém celebrar o nascimento e a vida com oferenda de flores. Outro tanto não se pode dizer no que à morte diz respeito. Existe mesmo uma arte floral especializada para essa celebração. As próprias árvores são exemplos flagrantes da sua ligação à botânica funerária. Na verdade, elas oferecem-nos o lenho com que se constrói o caixão. Essa madeira deve ter, segundo a tradição, duas características fundamentais: A incorruptibilidade e o aroma sagrado. Estas duas virtudes vamos encontrá-las no Cedro. Diz-se que o perfume desta árvore afasta os vermes das tumbas e a muito longa vida da madeira simboliza a eternidade.
Outra árvore desde sempre ligada ao culto dos mortos é o Cipreste. É comum encontrá-lo à entrada dos cemitérios. O seu porte sereno, longilíneo  e erecto representa um dedo apontando o céu. Existe mesmo uma nação, Chipre, cujo nome deriva de Cipreste. Nesta ilha, os habitantes, em épocas remotas, renderam culto a esta árvore.
Na Antiguidade as castanhas eram considerada alimento do
mortos e colocadas nas urnas.
Também o Castanheiro está ligado ao mundo funerário. Os seus frutos, as castanhas, amadurecem por altura do Dia de Finados. Na Antiguidade as castanhas eram utilizadas como alimento dos mortos na sua longa viagem rumo ao Paraíso.
Na Alemanha, é o Amieiro, a árvore funerária por excelência. Goethe, no seu poema Erlenkönig (O Rei dos Amieiros), conta a história de um pai que viu o seu filho morrer-lhe nos braços depois deste ter visto, durante uma noite de temporal, o sinistro Rei dos Amieiros.
As ligações das plantas ao mundo do fantástico e da morte estão presentes em inúmeras culturas. Os Celtas, com uma cultura fortemente ligada ao mundo vegetal, cobriam os seus mortos com flores e folhas e depois da urna fechada, voltavam a cobri-la de flores e folhas.
O Loendro é, na Sicilia, a planta funerária. Na Rússia é hábito cobrir-se os mortos com ramos de Pinheiro e Abeto.
Violetas. A flor que representa a Paixão, a Humildade e a Dor.
Entre as árvores típicas de uma necrópole, a Palmeira também tem um lugar de destaque. A palma é frequentemente vislumbrada nos primeiros cemitérios cristãos.
Existe mesmo uma obra literária editada em Espanha em 1885, cujo autor, Celestino Barallat y Falguera, um advogado e escritor, nos dá a sua perspectiva sobre o culto dos mortos. Este homem, como que numa predestinação, viria a falecer no Dia de Finados de 1905.
Flores sempre presentes...
Para Barallat, as cores de um cemitério devem ser, exclusivamente, duas: o verde das plantas e o branco das lápides.. O verde representa a regeneração da Primavera, logo, a imortalidade da alma. O branco, a pureza e a humildade.  Para ele há flores, cuja cor está perfeitamente associada à dor e ao luto. É o caso da Violeta. Ela representa a humildade e a modéstia, virtudes que encaixam perfeitamente na ideia da finitude da vida. Em sarcófagos egípcios foram encontrados amuletos de cor violácea, também a cor que os reis de França usavam nos seus lutos. Crê-se que os hábitos de certos dignitários da Igreja, são de cor violeta porque isso os induz a terem sempre presente a ideia da morte na sua forma mais sagrada.