Desde sempre a nas mais diversas civilizações, o imaginário popular ancestral foi povoado pelo estériotipo da figura da Bruxa voando a cavalgar uma vassoura.
Mas as Bruxas, realmente, voavam?
Esta é uma pergunta que, hoje, talvez nos faça sorrir, tão óbvia, parece-nos, a resposta. No entanto, à época, fez correr rios de tinta. Havia quem acreditasse, piamente, que as Bruxas voavam. Os mais cépticos defendiam que o alegado poder de voar, atribuído a estas mulheres, mais não era que estados hipnóticos induzidos pelas poções diabólicas preparadas e ingeridas por elas.
Um especialista naturalista do século XVI, Giambatista della Porta, decidiu fazer a experiência preparando e aplicando em si próprio as tais poções diabólicas e concluiu que esses unguentos mágicos induziam um sono profundo, povoado de alucinações, nas quais ele acreditou ser possível voar por longas distâncias e participar em orgias demoníacas, que descreveu com toda a riqueza de pormenores.
Também se sabe de um caso em que uma Bruxa, surpreendida e amarrada à cama e vigiada a noite toda, logo após se ter bezuntado com a tal mistela mágica, afirmou, quando acordou, ter voado uma longa distância, ter participado num "Sabat" - uma sessão de culto colectivo a Satanás - e ter mantido relações sexuais com o demónio.
O denominado unguento diabólico era composto por extratos vegetais de diversas plantas, com poderosos efeitos alucinógenos a que se acrescentava gordura animal para facilitar a aplicação e absorção.
Este produto, negro e fétido, era bezuntado no corpo da Bruxa, com especial incidência nas mãos, temporas, peitos, plantas dos pés e partes íntimas. Consoante o local do corpo onde era aplicado, assim variava o seu efeito, já que dependia do grau de absorção.
Hoje sabe-se que a vassoura as ajudava a voar, mas não no sentido tradicional que conhecemos. À época, a vassoura era considerada um simbolo do sexo feminino. A sua utilização representava a predominância da mulher sobre o homem. Das Bruxas sobre os Bruxos. O seu cabo, de aspecto fálico, era utilizado em rituais de fertilidade praticados em ambientes de extrema sexualidade, como era o "Sabat". Servia de aplicador das punções satânicas na parte mais interna da vagina , cuja mucosa é irrigada por inúmeros vasos sanguíneos. Assim, a absorção era rápida e o efeito quase imediato.
Estas mulheres, tidas como alucinadas e possuídas pelo demónio, eram sim, experientes conhecedoras das plantas e dos seus princípios activos. A sua experiência e conhecimentos eram fundamentais para atingirem os objectivos a que se propunham. A diferença entre o estado de alucinação e a morte por intoxicação, estava, tão só, na quantidade de produto ingerida.
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