Quando trabalho o meu pequeno jardim misturo-me com a própria substância do meu ser. Confiante de que a pequena semente que lanço à terra em breve brotará, crescerá e florescerá. Planto mais pelo gosto de o fazer do que pela colheita. Para mim, a colheita já é o acto de plantar. Participar neste milagre da transformação faz de mim um estranho Alquimista. Ser jardineiro é ter a capacidade de fazer a Natureza sorrir.
domingo, 26 de setembro de 2010
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
PANACEIAS PARA LIVRAR DE ANGARANHOS E MÁS-SORTES
ADIVINHAÇÕES
Os ingredientes da adivinhação:
Junta-se quantidades iguais de cipreste, mirra, incenso, salva, menta, rosmaninho, açafrão, cardamono e musgo. Deixa-se macerar quinze dias estes ingredientes no mel ou no vinho, em frasco bem rolhado. Junta-se resina na mesma quantidade, deixando-a "penetrar" uma semana. Passado esse tempo pode inalar-se os vapores deste composto.
O meimendro - tóxico - é misturado a estes perfumes. Ele dar-lhes-á um poder muito especial.
O suco de meimendro, de teixo, de barbassa e de papoila negra misturados com essência de lírio, permitem a aparição dos "espíritos".
O meimendro é usado muitas vezes com fins divinatórios.
AS SORTES DAS FAVAS
Escolhem-se dezoito favas, nove "fêmeas" e nove "machas", junta-se uma moeda de cobre, uma pedra pequena, um pau de lacre, um caco de porcelana, um migalho de cera, um búzio da Guiné e um pedaço de papel.
Procede-se à conjuração das favas proferindo as seguintes palavras:
"Minhas favas, minhas queridas, eu vos esconjuro não como favas, senão como pessoas, com Deus Padre, com Deus Filho, com Deus Espírito Santo, com a Santíssima Trindade, com o padre revestido quando quer dizer a missa, e com el-aire e com a hóstia consagrada e com todos os santos e santas que na corte do Céu há e com todos os esconjuros de Maria Padilha vos peço que me faleis verdade nisto que eu vos pergunto e quero saber".
DIAGNÓSTICO DA GRAVIDEZ
Para saber se há criança para saber, agarre os dedos da mulher na sua mão, estenda-lhe o braço e coloque-o ao longo do corpo. Passe a sua mão sobre todo o braço. Se sentir as veias desaparecerem sob os seus dedos, ela terá uma criança.
Quanto ao prognóstico precoce do sexo da criança que está para nascer basta colocar os grãos de trigo e de cevada em dois sacos que são regados todos os dias com urina da mulher grávida. Se só crescer a cevada, será uma rapariga. Se crescer apenas o trigo, será um rapaz.
AS SORTES DO PÃO
Uma das sortes mais antigas é a do pão. Pratica-se a uma quinta ou sexta-feira e esconjura-se o pão, invocando os demónios: "Eu te esconjuro com Barrabás e com Caifás, pão..."
Coloca-se a mão sobre o pão e prossegue-se: "Pela virtude que Deus em ti pôs que tu me declares se (isto, aquilo) há-de ser assim ou não". E finaliza: "Não me mintas que eu hei-de saber".
DIAGNÓSTICO DA GRAVIDEZ
Para saber se há criança para saber, agarre os dedos da mulher na sua mão, estenda-lhe o braço e coloque-o ao longo do corpo. Passe a sua mão sobre todo o braço. Se sentir as veias desaparecerem sob os seus dedos, ela terá uma criança.
Quanto ao prognóstico precoce do sexo da criança que está para nascer basta colocar os grãos de trigo e de cevada em dois sacos que são regados todos os dias com urina da mulher grávida. Se só crescer a cevada, será uma rapariga. Se crescer apenas o trigo, será um rapaz.
AS SORTES DO PÃO
Uma das sortes mais antigas é a do pão. Pratica-se a uma quinta ou sexta-feira e esconjura-se o pão, invocando os demónios: "Eu te esconjuro com Barrabás e com Caifás, pão..."
Coloca-se a mão sobre o pão e prossegue-se: "Pela virtude que Deus em ti pôs que tu me declares se (isto, aquilo) há-de ser assim ou não". E finaliza: "Não me mintas que eu hei-de saber".
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
UM MINUTO DE SILÊNCIO...
Hoje a tua lembrança assaltou-me particularmente... o passado andou atrás de mim, denso, quase palpável, pegajoso.
Tanto tempo se passou mas eu continuo a caminhar no interior da tua ausência, numa busca desesperada e interminável...
Porque partiste, meu amigo?
Eu sei que sempre fui parco em palavras e nunca tive talento e arte para te dizer - ao menos uma vez - o quanto eras importante para mim e tantas oportunidades eu tive para o fazer... desde os tempos descuidados da nossa meninice, em que estendidos à sombra de pinheiro esgalhado e cheiroso, nos deliciávamos com os voos dos tordos e pardais... ou a musica sincopada dos balidos dos rebanhos.
Agora é tarde. Tu foste embora e apenas o teu fantasma povoa as minhas horas de solidão.
Viver é perder amigos... e eu perdi-te para sempre.
Naquele final de tarde, Março, mas naquelas paragens não era Primavera...
O crepúsculo de fogo em breve daria lugar a uma noite abafada. Nem uma leve aragem refrescava a atmosfera pesada e morna. As árvores eram manchas escuras que mal definiam o recorte da ramaria. O sol escondido atrás das nuvens, queima no entanto. Não se sentem as frechadas escaldantes dos seus raios, mas tem-se a angustiante sensação de se estar encerrado num forno recém-aquecido.
Caminhávamos há longas horas, a sede trespassava-nos as entranhas e embotava-nos o cerebero. Vivíamos alucinantes momentos de desespero. Dois dias, e nem uma gota de água escorria dos cantis há muito secos. O suor pegajoso ensopava as roupas incómodas. O cansaço fazia-nos arrastar pesadamente os pés. Era vital encontrarmos água!
Inesperadamente, tu disseste: eu vou! E deste meia dúzia de passos... afastaste-te da parca segurança do grupo. Eu devia ter impedido o teu acto tresloucado... e não o fiz! Num assomo de egoísmo e cobardia senti satisfação pela tua decisão. Eu não teria tido coragem!
Subitamente, um estampido! Naquele instante telúrico, vislumbrei o teu corpo cambaleante em trôpegas passadas, retroceder para junto de mim. As tuas forças esvaírem-se e tu deixaste-te cair nos meus braços. Um fio de sangue ensopou suavemente o teu peito.
O teu rosto exangue... o desespero mudo das ultimas palavras que querias murmurar, estampado nos teus lábios entreabertos. Que me querias dizer? E por fim, a expressão de uma infinita e suave tristeza nos teus olhos já sem brilho.
Partiste, meu Amigo! Nunca mais acenderás no meu o teu cigarro...
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Preparação Artesanal de Produtos Fitossanitários em Agricultura Biológica
CALDA SULFOCÁLCICA
| Calda Sulfocálcica |
1 kg de Cal Viva
2 Kgs de enxofre
13 lts de água
Passos de preparação:
Passos de preparação:
1.- 5 lts de água a ferver + 1 kg de cal
2.- Quando recomeçar a ferver juntar lentamente 2kg de enxofre
3.- Juntar aos poucos os restantes 8 lts de água
4.- Deixar ferver 60 minutos em lume brando
5.- A massa fica com cor escura e uma parte dela deposita-se no fundo do recipiente
6.- Decantar o liquido sobrenadante (que fica na parte superior) para um recipiente não metálico
7.-Guardar a massa que fica depositada no fundo num recipiente não metálico.
Obs:
Num recipiente de ferro ou latão, adicionar vagarosamente a cal viva a 5 lts de água, mexendo sempre com um pau.
No inicio da ebulição, misturar vagarosamente o enxofre previamente dissolvido em
água. A restante água a misturar também deve ser previamente aquecida.
A calda passará de cor amarela, laranja, avermelhada e vermelho escuro quando pronta.
Após o arrefecimento, depois de criar depósito, deverá ser coada com um pano fino ou um vulgar coador, para evitar o entupimento do bico do pulverizador.
Utilizações da Calda Sulfocálcica:
Tratamentos de Inverno - calda diluída em água a 10 - 15%
Macieira, pereira, marmeleiro, pessegueiro, ameixeira, damasqueiro, cerejeira, amendoeira:
Ácaros e cochonilhas. Cancros da casca, oídios, lepra.
Vinha:
Oídio, podridão
Citrinos:
Diluição a 2 - 3%
Fumagina, ácaros, cochonilhas
Oliveiras
Acção repelente contra a lagarta da casca da oliveira, gafa.
Hortícolas
Diluição a 2%
Alho, cebola, feijoeiro, faveira, ervilheira
Ferrugem
A Calda Sulfocálcica é um produto de muito baixo custo, com uma ampla gama de utilização, não tóxico, pelo contrário com efeito estimulante e nutriente (nutrientes cálcio e enxofre).
Pode ser armazenada durante cerca de um ano, num local fresco e seco, ao abrigo da luz.
sábado, 11 de setembro de 2010
Na Tchon de Lisboa... (No Chão de Lisboa...)
Vi gentes das Ilhas na tchon de Lisboa.
(Gentes das Ilhas - 61 "estórias" enquanto o sono não vinha")
(Gentes das Ilhas - 61 "estórias" enquanto o sono não vinha")
E....
E... valeu a pena.... porque me levaram a uma terra magnífica, de gente boa, afável, simpática, das crioulas ( e crioulos, ora...), do sorriso mais lindo e olhos de amêndoa... e daquela crioula que todas as manhãs me acenava do outro lado da rua... do Grog do Trapiche - o do Botequim a Boca do Tubarão é magnifico - mas o do Cumpadre Franklin não lhe fica atrás... dos pores do sol mágicos, do ponche do Coculi - que coisa boa... da Susana e do Nuno... do Tiagão. Da Eurizanda e do Renato... Do Paul e Ribeira Brava. Calhau, Laginha e Baía das Gatas. Das forças telúricas de uma Mãe-Natureza sempre a segredar-me: Tem cuidado Jardineiro-do-Rei... não vale a pena pores-te em bicos dos pés. Tu não és ninguém!
Nha Terra... Nha Cretcheu
Nha Terra... Nha Cretcheu
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Sou um sobrevivente.... dos TACV - Transportes Aéreos de Cabo Verde
Está? Bom dia... É só para comunicar que os TACV - Transportes Aéreos de Cabo Verde, anteciparam o seu voo inicialmente marcado para as 8 horas, com destino a São Vicente, para as 6,45 do mesmo dia. Não se esqueça que deve estar no Aeroporto com 3 horas de antecedência, para fazer o seu check-in. Muito obrigado!
Assim dizia a simpática e profissional menina da Agência de Viagens.
Uops!! Magnífico! Pensei eu... vou chegar bem mais cedo a Cabo Verde - exultei eu, pobre novato nestas andanças aeroportuárias.
2,30 horas do dia aprazado para o embarque, lá estava eu, o mais insular possível, vestimenta branca, boné de palhinha de arroz "made in Equador", que - diga-se - fez um vistão lá no Mindelo... na fila do check-in 98, ainda encerrado, rodeado de uma pequena multidão de gente crioula.
3.00 horas, check-in feito, fui o segundo da fila do 98 a cumprir o ritual. Que feliz eu fiquei! (Nada me disseram de um molhinho de Poejos e outro de Hortelã da Ribeira que iam disfarçados entre peúgas e T-Shirts, mas isso é segredo de Jardineiro...). Só me restava esperar pelas 6.45 - também já não falta muito... Olho para o painel informativo: Voo com destino a São Vicente atrasado. Nova partida 8,30! Não é grande o atraso. Mais uma volta pelo aeroporto ainda meio adormecido. Mais um lamiré ao tal painel... Voo TACV com destino a São Vicente atrasado - partida 9,00! Não há problema. Partida 10 horas... Partida 10.15... Partida 10.30. Aí pararam - Só podiam ter estado a gozar com a minha cara e de toda aquela gente.
Às 11 horas ainda estava eu especado a olhar para a porta da sala de embarque. Deve ser assim mesmo... "Pidimos aos sinhores passageiros com destino a São Vicente o favô de si dirigirem ao portão di embarque, mas primeiro entra quem tem dificuldade..." convocou-nos um funcionário com pronuncia carioca... Pois, todos estávamos já em grande dificuldade depois de quase 8 horas de Aeroporto. Grávidas, idosos, crianças de colo, deficientes - segredou-me alguém familiarizado com o ritual de iniciação TACV.
E lá entramos na sala de embarque e depois no autocarro que nos havia de levar até avião estacionado algures, envergonhadamente bem longe das vistas, (como convém a quem faz os passageiros esperar mais de 8 longas horas...)
Já no ar uma angústia invadiu-me e pensei: Estes aviões deviam voar bem mais rasteirinhos... Se houvesse alguma avaria o pessoal pulava para terra.
Bem vindos a bordo, senhores passageiros. O Comandante Mário Alvim e a restante tripulação lamentam o atraso, do qual os TACV não são responsáveis... (Será que foram os passageiros os responsáveis? ehehehe...). Tudo faremos para recuperar este atraso. Voamos a uma velocidade de 800 quilómetros por hora, a uma altitude de 33 000 pés. A viagem demorará cerca de 4 horas. Os TACV (o prazer de bem viajar - como dia uma sugestiva frase inscrita no encosto de cabeça da minha cadeira) desejam uma boa viagem.
4 horas depois...
Senhores passageiros: dentro de 10 minutos iniciaremos os procedimentos de aproximação à pista do Aeroporto Internacional de São Pedro em São Vicente. Devem ocupar os vossos lugares e apertar os cintos. Também deverão atrasar os vossos relógios, 2 horas. Muito obrigado. Foi um prazer te-los a bordo!
No meu espírito fez-se luz! O Comandante Alvim havia recuperado uma parte substancial do atraso. Vejamos:
Saída de Lisboa - 11.30
Chegada a São Vicente - 15.30 (ou 13.30...)
Tempo de viagem - 4 horas (ou 2 horas...)
Como - o Senhor Comandante pediu - eu atrasei o meu relógio em 2 horas, logo, o tempo de viagem foi reduzido para 2 horas. Este raciocínio simples levou-me a outra conclusão brilhante: mantendo-se a distância quilométrica entre Lisboa e São Vicente, a velocidade do avião passou para o dobro, ou seja 1 600 quilómetros por hora. Se bem me lembro, a velocidade do som é de 344 metros por segundo, ou seja, 1 238,4 quilómetros por hora. Se os TACV voaram a 1 600 Quilómetros por hora...
Caramba! Os TACV voaram a uma velocidade super-sónica!
Agora percebo, porque razão me senti sugado pelo traseiro quando, por desarranjo intestinal, me tive que sentar na sanita de bordo e inadvertidamente carreguei num botão que lá havia...
Mas há uma coisa que eu achei estranha e para a qual ainda não encontrei explicação: Quando o avião se fez à pista uma voz masculina proferiu algo parecido com um sonoro: Ó carago! O que me fez pensar num sobressalto: Pronto... falhamos a pista. Vamo-nos despenhar!
Sobrevivi... aos TACV!
Subscrever:
Mensagens (Atom)


