segunda-feira, 3 de junho de 2013

A CANÇÃO DA PRIMAVERA NO JARDIM DO JARDINEIRO-DO-REI...

A Mãe-Natureza sorriu no meu canto alentejano. Sigam-me...

Vamos entrar no Jardim dos Aromas...
Chegámos! Uma mistura de cores e perfumes de mais de 100 Plantas Mágicas...
O lilás vibrante da Salva Farinácia entre o verde suave do Levístico,  intenso da Matricária e verde escuro da Sanguisorba, com a Erva-das-Azeitonas a espreitar...
Tupinambo ou Girassol-Batateiro.
Um outro olhar perfumado...
Hissopo.
Zimbro.
Absinto.
Salva Esclareia.
Alteia.
A Onagra a competir com as Rosas...
Uma pausa no nosso passeio pelo perfume do Jardim das Plantas Mágicas...
... debaixo da cúpula da Cachoeira do Xingu!
Sentemo-nos um pouco. Disfrutemos da Beleza e da Paz deste lugar Mágico! Este é o Jardim da Vida. A porta está sempre aberta para quem quiser encontrar a Paz. Aqui cuido de plantas e árvores. Aqui semeio Lírios, Jasmins, Salvas, Tomilhos,  Rosas e Pensamentos...

domingo, 17 de março de 2013

UMA ESTUFA DE VARANDA

É aqui onde tudo acontece. Uma espécie de Maternidade Vegetal. 
Esta estufa é feita com uma estrutura em madeira. As peças mais grossas são tutores de árvores. As mais finas, cabos de vassouras. A cobertura é em policarbonato duplo,  material acrílico transparente, alveolado, o que permite um controle muito bom tanto da temperatura como da humidade. Uma pequena estação meteorológica com termómetro e higrómetro permite-me saber a temperatura e a humidade tanto interior como exterior e assim avaliar a diferença entre o ambiente dentro e fora da estufa. Num dia em que a temperatura exterior estiver próxima dos 0º C, no interior estão cerca de 18ºC. Permite-me fazer germinar, por exemplo, sementes de frutos tropicais. 
Esta estufa permite-me germinar sementes e enraizar estacas de plantas que depois irão para a terra, em local definitivo,  no Alentejo.
As imagens...

Estacas de Rosmaninho Africano e Gilbardeira
Germinados de Hissopo Anisado

domingo, 24 de fevereiro de 2013

O JARDINEIRO...


Surgiu do nada, como o manto rubro das papoilas na Primavera; nos pés sujos umas velhas sandálias de couro enegrecido. Na mão um longo e polido cajado de azinheira.
Deambulou por vielas e calçadas a perguntar se alguém estava disposto a vender-lhe um pedaço de terra. Encontrou o que queria nos arredores da aldeia. Uma velha casa, como que feita para ele morar nela, cheia de bons e maus cheiros das casas que têm história e alma. Cheia de sol nas vidraças e escuro nos recantos. Cheia de silêncios e de espantos. 
Uma casa, tosca e bela. Como que feita para ele morar nela...
E uma velha oliveira de desvairados braços de divindade indu apontando o azul do céu.

À sua volta plantou um jardim, com sulcos de vento, bordado de heras, madressilvas e jasmins. Pintado de açucenas, rosas rubras, violetas, lírios, tomilhos e pensamentos.

E sentou-se à sombra da velha oliveira centenária, oferecendo a sua beleza e o seu aconchego a todos os que o quisessem gozar. Os pássaros fizeram ninho nos seus ramos. Aos homens disse-lhes que aquele era o Jardim da Vida e que o velho portão estaria sempre aberto a quem quisesse encontrar a Paz.

E nas longas e mornas noites os elfos e duendes procuraram refúgio nas suas plantas.

E o jardineiro dedicou-se a cuidar de plantas e árvores e a semear lírios e pensamentos e memórias.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

YUCCA - A planta cerimonial

Existem cerca de quarenta espécies Yucca. Desde plantas de pequenas dimensões até exemplares de muito metros de altura. As magníficas árvores de Joshua, Yucca brevifolia ou Yucca schidigera, presentes nos desertos americanos do Nevada, Arizona e Califórnia chegam a atingir os 20 metros de altura. Há variedades com folhas pontiagudas, semelhantes a espadas, com um espinho aguçado na extremidade, capaz de causar danos terríveis na pele. É o caso da Yucca aloifalia.
As espécies com porte arbóreo, apresentam um caule cilíndrico com interior esponjoso. Exteriormente exibem cicatrizes de folhas antigas. As folhas agrupam-se em penachos nas extremidades dos ramos.
A floração da Yucca é vistosa, em magníficos cachos de um branco cremoso. Estas flores têm uma característica estranha: são polinizadas por um único insecto, a Mariposa-da-Yucca, num estranho jogo de cumplicidade insecto/flor que um dia irei abordar em pormenor.
O interesse desta planta não se restringe à beleza das suas flores ou ao seu porte majestoso. Conhecida desde tempos imemoriais - foram encontrados restos de folhas e sementes de Yucca em fezes humanas de homens das cavernas...
Os indios Navajos, da América do Norte usavam largamente esta planta. Esmagavam e ferviam a raiz de forma a que se formasse uma densa espuma que era depois utilizada para lavar roupa, na higiene pessoal e em rituais religiosos. Também os frutos eram alimento comum depois de tostados no lume. Até ás folhas jovens eram consumidas na alimentação.
Outras tribos nativas da América do Norte usavam as fibras das folhas  na fabricação de arcos e flechas, na tecelagem de tecidos, esteiras, assentos de cadeiras, fio para cozer, redes de pesca  e artigos de vestuário.

PROPRIEDADES TERAPÊUTICAS
Também no campo da medicina a Yucca apresenta muitas propriedades.
As folhas são ricas em diversos componentes com elevado interesse, nomeadamente:
Saponinas esteróides - usadas no tratamento de de distúrbios digestivos.
Sapogeninas - para produção de estrógenos (hormonas sexuais)
Políssacarídeos - com propriedades curativas diversas.
Nos Estados Unidos, em pacientes que sofriam de artrite reumatóide e que foram sujeitos a tratamento com comprimidos de Yucca, verificou-se um alívio geral da doença sem efeitos secundários.
Os Indios Navajos curavam infecções oculares em ovelhas usando cinzas do caule da Yucca misturadas com iodo.
Um outra tribo da América do Norte - Arizona, os Walapai, esmagavam e ferviam as raízes da Yucca, produzindo uma bebida de sabor amargo com que tratavam a obstipação, a indigestão, gripe e feridas.
Associada ao Milefólio é remédio eficaz contra as varizes.

Mas não se ficam por aqui as inesperadas propriedades desta planta...
Em agricultura usam-se as saponínas extraídas das raízes para incentivar o crescimento de citrinos, morangueiros e diversas hortícolas. Também a indústria do golf usa estas propriedades para potenciar o crescimento da relva em zonas difíceis.
Na indústria, as soponinas da Yucca são usadas na depuração de píscinas de água salgada e no tratamento de águas residuais urbanas.

domingo, 20 de janeiro de 2013

LICORES JARDINEIRO DO REI - 2012

Desta vez os meus licores surgiram com nova embalagem e novo visual... Como em época de dificuldades financeiras há que ser criativo, decidi que este ano as minhas prendas de Natal seriam feitas por mim e nada melhor que um licor para aquecer a alma nestes dias de Inverno rigoroso...
Licor de Murta 2011 - o meu ex-libris.







Licor de Ginja - tinha que ser a homenagem aos boémios deste país...

Licor de Amora - outra novidade!
Contra-rótulo do Licor de Amora - Uma homenagem ao cancioneiro popular português
Contra-rótulo do Licor de Ginja - Um pouco de História...
Finalmente um conjunto com os três Licores.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

PRÁTICA DE GERMINAÇÃO

Em Biologia chama-se germinação ao processo que leva ao nascimento e crescimento de uma planta a partir de um corpo em estado de vida latente, podendo esse corpo ser uma semente ou um esporo.
Este processo reprodutivo das plantas realiza-se deste sempre na Natureza. Contudo, para haver germinação é necessário que estejam criadas condições, de temperatura, de humidade do ar e do substrato, da semente ser viável. Técnicas modernas permitem que, mesmo longe do seu habitat natural, as sementes germinem.
A germinação pode ter como fim a propagação da espécie, como também ser utilizada, em fase precoce do desenvolvimento da planta, para a alimentação humana. Um exemplo de todos conhecidos são os rebentos de soja ou feijão mungo, muito vulgares nos supermercados. Muito fácil de realizar em casa, essa prática  permite conseguir-se um alimento rico em nutrientes, que pode ser consumido, preferencialmente, cru em saladas. Se preferirmos os germinados cozidos, deverá ser uma cozedura ligeira de forma a não retirar componentes nutritivos aos rebentos.
Eis a minha experiência:

Germinador



Germinados de Feijão Mungo, Alfafa e Feno Grego


Sementes de Agricultura Biológica

Rebentos de Feijão Mungo e as respectivas sementes

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

FIGUEIRA DA INDIA;TABAIBEIRA; NOPAL (Opuntia ficus-indica)

"Não se sabe como nasceu: deixando entrever as suas mãos planas, o seu rosto oval e achatado, do qual brota mais um e outro. 
Todos eles defendidos por agudos espinhos geometricamente acomodados nas suas folhas grossas e, apesar disso, lustrosas sob a agressão das suas múltiplas agulhas. Ninguém a rega, ninguém a cultiva. Sorve os sucos vitais da terra, da pedra que a entroniza. E, um belo dia, dessas mãos largas e planas brotam pequenos dedos vermelhos: as tunas, tenochtl,  figos-da-india, tabaibos - vermelhos como o coração dos homem; abrigadas, envoltas na casca que repete em pequeno como uma ténue rima, a geometria hostil das espinhas do berço que a sustém."
                                                                            (Salvador Nuno)

Licor de Tabaibo

A Figueira-da-India, Tabaibeira na minha terra... é uma planta suculenta que chega a medir até cinco metros de altura. Estranha no seu aspecto, lembra um divindade Indu de desvairados braços no ar... Extremamente rústica, resiste às mais violentas condições climatéricas. Os seus frutos, Figos-da-India (Tabaibos...), são comestíveis. É essa, entre nós, praticamente a sua única utilização. Que se saiba não há na Europa cultura sistemática desta espécie vegetal. Outro tanto não acontece em países da América Central como, por exemplo, o México, onde o seu cultivo é extensivo e muito importante, chegando a planta e o respectivo fruto a serem conservados em salmoura  ou em escabeche, sendo depois exportado para os Estados Unidos, Japão e Europa. 
O Figo-da-India é rico em cálcio, potássio, taninos e açucares. As flores da Figueira-da-India são ricas em flavonóides.

USO MEDICINAL
Mas não se ficam por aqui as surpresas que esta planta nos reserva. Desde tempos recuados que as civilizações pré-colombianas sabem das suas virtudes curativas.  As folhas são utilizadas para tratar queimaduras, abcessos e furúnculos, para ajudar no parto e para tratar amigdalites. Com a raiz tratam-se fracturas ósseas
Na medicina tradicional mexicana usam-se as folhas assadas no tratamento da Diabetes. 
Uma folha igualmente assada, colocada sobre o ouvido cura as dores. O suco gelatinoso é usado para tratar problemas de pele. 
Um copo de batido de sumo de laranja e duas folhas de Tabaibeira é tratamento eficaz contra a obesidade. 

UM ALIADO ECOLÓGICO
Como fixador de terras ameaçadas de erosão. Devido ao seu baixo consumo de água é ideal para reflorestar zonas em processo de desertificação.
A Figueira-da-India é uma excelente forragem para o gado em épocas de seca. Triturado é um ótimo fertilizante do solo.

NA COZINHA
As folhas tenras podem ser utilizadas em saladas, em vinagrete, em juliana, em creme de legumes, tortilhas...
Os Figos-da-India, além de serem excelentes comidos simples, também vão bem em saladas de frutos  em sumos.
Com os Tabaibos faz-se um excelente licor.

CURIOSIDADE
A Figueira-da-India é abrigo para um insecto, uma Cochonilha (Coccus cacti). Esta Cochonilha suga a seiva das folhas. Esta, ao entrar em contacto com os sucos digestivos, adquire a cor carmim (vermelha viva), sendo então utilizado para tingir tecidos, como tinta natural, na pintura de quadros, na decoração de paredes e pintura de obras de artesanato. Também como corante alimentar.