segunda-feira, 27 de setembro de 2010

PREPARAÇÃO ARTESANAL DE PRODUTOS FITOSSANITÁRIOS EM AGRICULTURA BIOLÓGICA

CALDA DE SABÃO AZUL + ENXOFRE

Preparação para 10 L de calda
1.- Num balde de plástico deitar cerca de 5 L de água

2.- Misturar 200grs de sabão (diluir previamente num pouco de água morna)

3.- Deitar 200grs de enxofre em pó na mistura de água e sabão, mexendo sempre, lentamente, para evitar a formação de grumos

4.- Juntar água para perfazer os 10 L de calda

Esta calda tem uma eficácia superior a qualquer um dos seus ingredientes aplicados isoladamente. O sabão danifica a camada cerosa protectora do Insecto, levando à sua dessecação. Alem disso funciona como espalhante e aderente na superfície dos vegetais.

O enxofre tem a sua acção tóxica potenciada por uma maior aderência do corpo do insecto graças ao sabão.

Apresenta maior eficácia com a acção directa do sol, e por isso deve ser aplicada de manhã, mas há que evitar a sua utilização em dias com temperaturas superiores a 28ºC.

Pode provocar manchas sobre alguns frutos, tais como ameixas e pêra rocha. A pulverização deve cobrir bem os insectos ou ácaros a atingir e ser dirigida à rebentação no caso de afídeos (onde eles se concentram).

UTILIZAÇÃO DA CALDA DE SABÃO + ENXOFRE

Aplicar por pulverização

Fruteiras
 -Afideos (piolhos), ácaros, moscas brancas, cochonilhas. Pulgão lanigero
-Preventivo contra a mineira dos citrinos (pulverizar uma vez por semana os rebentos jovens desde o aparecimento da praga) ,

Hortícolas
-Afideos (piolhos), ácaros, moscas francas, cochonilhas...
-Preventivo contra as lagartas e percevejos.

Jardinagem
-Afideos(piolhos), cochonilhas, aranhiços.
-Pragas das suculentas.
                                                                                                              (Fonte de consulta: J.Raul Ribeiro)

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

PANACEIAS PARA LIVRAR DE ANGARANHOS E MÁS-SORTES

ADIVINHAÇÕES
Os ingredientes da adivinhação:
Junta-se quantidades iguais de cipreste, mirra, incenso, salva, menta, rosmaninho, açafrão, cardamono e musgo. Deixa-se macerar quinze dias estes ingredientes no mel ou no vinho, em frasco bem rolhado. Junta-se resina na mesma quantidade, deixando-a "penetrar" uma semana. Passado esse tempo pode inalar-se os vapores deste composto.
O meimendro - tóxico - é misturado a estes perfumes. Ele dar-lhes-á um poder muito especial.
O suco de meimendro, de teixo, de barbassa e de papoila negra misturados  com essência de lírio, permitem a aparição dos "espíritos".
O meimendro é usado muitas vezes com fins divinatórios.

AS SORTES DAS FAVAS
Escolhem-se dezoito favas, nove "fêmeas" e nove "machas", junta-se uma moeda de cobre, uma pedra pequena, um pau de lacre, um caco de porcelana, um migalho de cera, um búzio da Guiné e um pedaço de papel.
Procede-se à conjuração das favas proferindo as seguintes palavras:
"Minhas favas, minhas queridas, eu vos esconjuro não como favas, senão como pessoas, com Deus Padre, com Deus Filho, com Deus Espírito Santo, com a Santíssima Trindade, com o padre revestido quando quer dizer a missa, e com el-aire e com a hóstia consagrada e com todos os santos e santas que na corte do Céu há e com todos os esconjuros de Maria Padilha vos peço que me faleis verdade nisto que eu vos pergunto e quero saber".

DIAGNÓSTICO DA GRAVIDEZ 
Para saber se há criança para saber, agarre os dedos da mulher na sua mão, estenda-lhe o braço e coloque-o ao longo do corpo. Passe a sua mão sobre todo o braço. Se sentir as veias desaparecerem sob os seus dedos, ela terá uma criança.
Quanto ao prognóstico precoce do sexo da criança que está para nascer basta colocar os grãos  de trigo e de cevada em dois sacos que são regados todos os dias com urina da mulher grávida. Se só crescer a cevada, será uma rapariga. Se crescer apenas o trigo, será um rapaz.

AS SORTES DO PÃO
Uma das sortes mais antigas é a do pão. Pratica-se a uma quinta ou sexta-feira e esconjura-se o pão, invocando os demónios: "Eu te esconjuro com Barrabás e com Caifás, pão..."
Coloca-se a mão sobre o pão e prossegue-se: "Pela virtude que Deus em ti pôs que tu me declares se (isto, aquilo) há-de ser assim ou não". E finaliza: "Não me mintas que eu hei-de saber".  


quinta-feira, 23 de setembro de 2010

UM MINUTO DE SILÊNCIO...

Hoje a tua lembrança assaltou-me particularmente... o passado andou atrás de mim, denso, quase palpável, pegajoso.
Tanto tempo se passou mas eu continuo a caminhar no interior da tua ausência, numa busca desesperada e interminável...
Porque partiste, meu amigo?
Eu sei que sempre fui parco  em palavras e nunca tive talento e arte para te dizer - ao menos uma vez - o quanto eras importante para mim e tantas oportunidades eu tive para o fazer... desde os tempos descuidados da nossa meninice, em que estendidos à sombra de pinheiro esgalhado e cheiroso, nos deliciávamos com os voos dos tordos e pardais... ou a musica sincopada dos balidos dos rebanhos.
Agora é tarde. Tu foste embora e apenas o teu fantasma povoa as minhas horas de solidão.
Viver é perder amigos... e eu perdi-te para sempre.
Naquele final de tarde, Março, mas naquelas paragens não era Primavera...
O crepúsculo de fogo em breve daria lugar a uma noite abafada. Nem uma leve aragem refrescava a atmosfera pesada e morna. As árvores eram manchas escuras que mal definiam o recorte da ramaria. O sol escondido atrás das nuvens, queima  no entanto. Não se sentem as frechadas escaldantes dos seus raios, mas tem-se a angustiante sensação de se estar encerrado num forno recém-aquecido.
Caminhávamos há longas horas, a sede trespassava-nos as entranhas e embotava-nos o cerebero. Vivíamos alucinantes momentos de desespero. Dois dias, e nem uma gota de água escorria dos cantis há muito secos. O suor pegajoso ensopava as roupas incómodas. O cansaço fazia-nos arrastar pesadamente os pés. Era vital encontrarmos água!
Inesperadamente, tu disseste: eu vou! E deste meia dúzia de passos... afastaste-te da parca segurança do grupo. Eu devia ter impedido o teu acto tresloucado... e não o fiz! Num assomo de egoísmo e cobardia senti satisfação pela tua decisão. Eu não teria tido coragem!
Subitamente, um estampido! Naquele instante telúrico, vislumbrei o teu corpo cambaleante em trôpegas  passadas, retroceder para junto de mim. As tuas forças esvaírem-se e tu deixaste-te cair nos meus braços. Um fio de sangue ensopou suavemente o teu peito.
O teu rosto exangue... o desespero mudo das ultimas palavras que querias murmurar, estampado nos teus lábios entreabertos. Que me querias dizer? E por fim, a expressão de uma infinita e suave tristeza nos teus olhos já sem brilho. 
Partiste, meu Amigo! Nunca mais acenderás no meu o teu cigarro...

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Preparação Artesanal de Produtos Fitossanitários em Agricultura Biológica

CALDA SULFOCÁLCICA 
Calda Sulfocálcica
Preparação de 10 lts de calda
1 kg de Cal Viva
2 Kgs de enxofre
13 lts de água

Passos de preparação:
1.- 5 lts de água a ferver + 1 kg de cal
2.- Quando recomeçar a ferver juntar lentamente 2kg de enxofre
3.- Juntar aos poucos os restantes 8 lts de água
4.- Deixar ferver 60 minutos em lume brando
5.- A massa fica com cor escura e uma parte dela deposita-se no fundo do recipiente
6.- Decantar o liquido sobrenadante (que fica na parte superior) para um recipiente não     metálico
7.-Guardar a massa que fica depositada no fundo num recipiente não metálico.
Obs:
Num recipiente de ferro ou latão, adicionar vagarosamente a cal viva a 5 lts de água, mexendo sempre com um pau.
No inicio da ebulição, misturar vagarosamente o enxofre previamente dissolvido em 
água. A restante água a misturar também deve ser previamente aquecida. 
A calda passará de cor amarela, laranja, avermelhada e vermelho escuro quando pronta. 
Após o arrefecimento, depois de criar depósito, deverá ser coada com um pano fino ou um vulgar coador, para evitar o entupimento do bico do pulverizador.

Utilizações da Calda Sulfocálcica:
Tratamentos de Inverno - calda diluída em água a 10 - 15%
Macieira, pereira, marmeleiro, pessegueiro, ameixeira, damasqueiro, cerejeira, amendoeira:
Ácaros e cochonilhas. Cancros da casca, oídios, lepra.

Vinha:
Oídio, podridão

Citrinos: 
Diluição a 2 - 3%
Fumagina, ácaros, cochonilhas

Oliveiras
Acção repelente contra a lagarta da casca da oliveira, gafa.
Hortícolas
Diluição a 2%
Alho, cebola, feijoeiro, faveira, ervilheira
Ferrugem

A Calda Sulfocálcica é um produto de muito baixo custo, com uma ampla gama de utilização, não tóxico, pelo contrário com efeito estimulante e nutriente (nutrientes cálcio e enxofre).
Pode ser armazenada durante cerca de um ano, num local fresco e seco, ao abrigo da luz.

sábado, 11 de setembro de 2010

Na Tchon de Lisboa... (No Chão de Lisboa...)

Vi gentes das Ilhas na tchon de Lisboa. Nas costas de Lisboa em movimento, nos andaimes entorpecidos de frio de Lisboa em construção, nos arredores de Lisboa salpicados de negro e sonhos em debandada. Vi pedaços das Ilhas desfilando em cortejo pelas ruas de Lisboa no sorriso crioulo de Bety de Ti Jôn d'Rome que me espera ali na paragem de comboio de Alcântara, no groguinho da Ilha que nos embala as estórias na casa do Campin de Bebê, na morna ondas sagradas do Tejo que meu sobrinho Nelson trauteia mecanicamente para espantar o frio na hora do banho... 
Vi gentes das Ilhas na tchon de Lisboa. 

(Gentes das Ilhas - 61 "estórias" enquanto o sono não vinha") 

                

E....



E... valeu a pena.... porque me levaram a uma terra magnífica, de gente boa, afável, simpática, das crioulas ( e crioulos, ora...), do sorriso mais lindo e olhos de amêndoa...  e daquela crioula que todas as manhãs me acenava do outro lado da rua... do Grog do Trapiche - o do Botequim a Boca do Tubarão é magnifico - mas o do Cumpadre Franklin não lhe fica atrás... dos pores do sol mágicos, do ponche do Coculi - que coisa boa... da Susana e do Nuno... do Tiagão. Da Eurizanda e do Renato... Do Paul e Ribeira Brava. Calhau, Laginha e Baía das Gatas. Das forças telúricas de uma Mãe-Natureza sempre a segredar-me: Tem cuidado Jardineiro-do-Rei... não vale a pena pores-te em bicos dos pés.  Tu não és  ninguém!

Nha Terra... Nha Cretcheu