sábado, 11 de setembro de 2010

E....



E... valeu a pena.... porque me levaram a uma terra magnífica, de gente boa, afável, simpática, das crioulas ( e crioulos, ora...), do sorriso mais lindo e olhos de amêndoa...  e daquela crioula que todas as manhãs me acenava do outro lado da rua... do Grog do Trapiche - o do Botequim a Boca do Tubarão é magnifico - mas o do Cumpadre Franklin não lhe fica atrás... dos pores do sol mágicos, do ponche do Coculi - que coisa boa... da Susana e do Nuno... do Tiagão. Da Eurizanda e do Renato... Do Paul e Ribeira Brava. Calhau, Laginha e Baía das Gatas. Das forças telúricas de uma Mãe-Natureza sempre a segredar-me: Tem cuidado Jardineiro-do-Rei... não vale a pena pores-te em bicos dos pés.  Tu não és  ninguém!

Nha Terra... Nha Cretcheu

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Sou um sobrevivente.... dos TACV - Transportes Aéreos de Cabo Verde

Está? Bom dia... É só para comunicar que os TACV - Transportes Aéreos de Cabo Verde, anteciparam o seu voo inicialmente marcado para as 8 horas, com destino a São Vicente, para as 6,45 do mesmo dia. Não se esqueça que deve estar no Aeroporto com 3 horas de antecedência, para fazer o seu check-in. Muito obrigado!
Assim dizia a simpática e profissional menina da Agência de Viagens.
Uops!! Magnífico! Pensei eu... vou chegar bem mais cedo a Cabo Verde - exultei eu, pobre novato nestas andanças aeroportuárias.
2,30 horas do dia aprazado para o embarque, lá estava eu, o mais insular possível, vestimenta branca, boné de palhinha de arroz "made in Equador", que - diga-se - fez um vistão lá no Mindelo... na fila do check-in 98, ainda encerrado, rodeado de uma pequena multidão de gente crioula.

3.00 horas, check-in feito, fui o segundo da fila do 98 a cumprir o ritual. Que feliz eu fiquei! (Nada me disseram de um molhinho de Poejos e outro de  Hortelã da Ribeira que iam disfarçados entre peúgas e T-Shirts, mas isso é segredo de Jardineiro...). Só me restava esperar pelas 6.45 - também já não falta muito... Olho para o painel informativo: Voo com destino a São Vicente atrasado. Nova partida 8,30! Não é grande o atraso. Mais uma volta pelo aeroporto ainda meio adormecido. Mais um lamiré ao tal painel... Voo TACV com destino a São Vicente atrasado - partida 9,00! Não há problema. Partida 10 horas... Partida 10.15... Partida 10.30. Aí pararam - Só podiam ter estado a gozar com a minha cara e de toda aquela gente. 

Às 11 horas ainda estava eu especado a olhar para a porta da sala de embarque. Deve ser assim mesmo... "Pidimos aos sinhores passageiros com destino a São Vicente o favô de si dirigirem ao portão di embarque, mas primeiro entra quem tem dificuldade..." convocou-nos um funcionário com pronuncia carioca... Pois, todos estávamos já em grande dificuldade depois de quase 8 horas de Aeroporto. Grávidas, idosos, crianças de colo, deficientes - segredou-me alguém familiarizado com o ritual de iniciação TACV.

E lá entramos na sala de embarque e depois no autocarro que nos havia de levar até avião estacionado algures, envergonhadamente bem longe das vistas, (como convém a quem faz os passageiros esperar mais de 8 longas horas...)

Já no ar uma angústia invadiu-me e pensei: Estes aviões deviam voar bem mais rasteirinhos... Se houvesse alguma avaria o pessoal pulava para terra.

Bem vindos a bordo, senhores passageiros. O Comandante Mário Alvim e a restante tripulação lamentam o atraso, do qual os TACV não são responsáveis... (Será que foram os passageiros os responsáveis? ehehehe...). Tudo faremos para recuperar este atraso. Voamos a uma velocidade de 800 quilómetros por hora, a uma altitude de 33 000 pés. A viagem demorará cerca de 4 horas. Os TACV (o prazer de bem viajar - como dia uma sugestiva frase inscrita no encosto de cabeça da minha cadeira) desejam uma boa viagem.

4 horas depois...
Senhores passageiros: dentro de 10 minutos iniciaremos os procedimentos de aproximação à pista do Aeroporto Internacional de São Pedro em São Vicente. Devem ocupar os vossos lugares e apertar os cintos. Também deverão atrasar os vossos relógios, 2 horas. Muito obrigado. Foi um prazer te-los a bordo!
No meu espírito fez-se luz! O Comandante Alvim havia recuperado uma parte substancial do atraso. Vejamos:

Saída de Lisboa - 11.30
Chegada a São Vicente - 15.30 (ou 13.30...)
Tempo de viagem - 4 horas (ou 2 horas...)

Como - o Senhor Comandante pediu - eu atrasei o meu relógio em 2 horas, logo, o tempo de viagem foi reduzido para 2 horas. Este raciocínio simples levou-me a outra conclusão brilhante: mantendo-se a distância quilométrica entre Lisboa e São Vicente, a velocidade do avião passou para o dobro, ou seja 1 600 quilómetros por hora. Se bem me lembro, a velocidade do som é de 344 metros por segundo, ou seja, 1 238,4 quilómetros por hora.  Se os TACV voaram a 1 600 Quilómetros por hora...

Caramba! Os TACV voaram a uma velocidade super-sónica!

Agora percebo, porque razão me senti sugado pelo traseiro quando, por desarranjo intestinal, me tive que sentar na sanita de bordo e inadvertidamente carreguei num botão que lá havia...

Mas há uma coisa que eu achei estranha e para a qual ainda não encontrei explicação: Quando o avião se fez à pista uma voz masculina proferiu algo parecido com um sonoro: Ó carago! O que me fez pensar num sobressalto: Pronto... falhamos a pista. Vamo-nos despenhar!

Sobrevivi... aos TACV!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

.............FÉÉÉÉÉÉÉÉÉRIAS............

ENCERRADO PARA DESCANSO DOS MEUS LEITORES

O JARDINEIRO

O Jardineiro surgiu do nada, como o manto rubro das papoilas na Primavera;  com umas sandálias de couro e um longo cajado de madeira de carvalho.
Deambulou pelas praças e pelo mercado, a perguntar se alguém estava disposto a vender-lhe um terreno espaçoso. E encontrou o seu lugar nos arredores da aldeia, junto de um regato cantarolador com reflexos dourados.
Construiu uma cabana. E à sua volta um jardim, grande e com sulcos de vento; bordado com heras, clematites, passionárias e madressilvas; salpicado de açucenas, violetas, lírios e pensamentos.
E sentou-se à porta do seu jardim, oferecendo a sua beleza e a paz a todo aquele que as quisesse gozar. Disse-lhes que aquele jardim era o Jardim da Vida, e que a porta estaria sempre aberta para todo aquele que quisesse encontrar a Paz.
Os pássaros e os esquilos fizeram ninhos nas suas árvores, as fadas e os elfos procuraram refugio entre as suas plantas, e os homens encontraram abrigo para o seu coração entre as suas flores.
E o Jardineiro dedicou-se a cuidar de plantas e árvores, esquilos e pássaros, fadas, elfos e homens.
                                                               (O Jardineiro de Grian)

sexta-feira, 30 de julho de 2010

MURTA (Myrtus communis)

Arbusto sempre-verde e muito rústico. Encontramo-lo em zonas de mato e  em encostas de solo pobre. 
Chega a atingir os 5 metros de altura no seu meio natural.  As suas flores brancas e perfumadas despontam inicio da Primavera. O seu fruto é uma baga preto-azulada. As folhas são extremamente aromáticas.
É uma planta medicinal. O óleo essencial extraído das bagas aplicado externamente alivia o acne. A infusão feita das folhas da murta usa-se no tratamento das infecções urinárias. O seu chá trata problemas respiratórios e inflamações nas gengivas.
Em cosmética usa-se na preparação de perfumes e outros produtos cosméticos.
Na cozinha, as suas folhas são um excelente substituto do louro. As bagas secas e transformadas em pó condimentam carne grelhada, transmitindo-lhe o sabor forte da gastronomia mediterrânica. Também podem ser utilizadas em molhos.
Em zonas rurais da Sardenha e Itália, os alimentos são condimentados com o fumo de murta.
A propagação desta planta faz-se de duas maneiras:
   - Por estacas caulinares //  Por sementes no inicio da Primavera
CURIOSIDADE - Os monges Arrabidinos que construíram em 1542 o denominado Convento da Arrábida, fabricavam um licor o "Arrabidino" por infusão alcoólica dos frutos (bagas) da murta, os "murtinhos". 
Mas os "murtinhos" não se ficaram por aqui.  Em Dezembro de 2001, foram levados para os espaço a bordo do Vaivém Espacial Endeavour. O objectivo era fazer testes de germinação com sementes de plantas nativas de vários países.
Na mitologia grega a murta era considerada a Planta do Amor e dedicada a Vénus. As noivas eram adornadas com flores de murta. Por essa razão é conhecida, em determinadas regiões, como "murta de noiva".

quinta-feira, 29 de julho de 2010

RUBDÉQUIA (Echinacea purpurea)

 A Equinácea ou Rubdéquia é uma planta originária da América do Norte. Os índios norte-americanos usavam-na para combater as infecções e para o tratamento das mordeduras de cobras. É uma planta vivaz. Apresenta vistosas flores de cor púrpura que desabrocham entre Maio e Agosto. A disposição das pétalas faz lembrar o malmequer, com um disco central de cor acastanhada. Coça a ser conhecida e apreciada como planta decorativa.
Toda a planta tem propriedades medicinais
É antibacteriana e antívirica. Purifica o sangue e melhora o sistema imunitário.  Um decocção feita com o suco das flores a acelera a cicatrização de pequenas feridas e queimaduras.  É eficaz na cura de constipações e afecções das vias respiratórias.
A propagação desta planta é feita por semente no inicio da Primavera ou por divisão da planta no período de dormência no Inverno ou ainda por partes (estacas) da raiz no final do Inverno ou inicio da Primavera.
Vale a pena cultivar esta planta nem que seja só pela sua beleza estranha...

terça-feira, 27 de julho de 2010

A HISTÓRIA DE NIKE - Não podemos ignorar...

O Nike tinha um  lar. Não sei se bom, se mau. Se cumpria ou nãoo a sua função de protecção e aconchego. Eu sempre conheci o Nike naquela casa. Sempre o tive como um bom companheiro e um bom amigo de crianças e adultos. Simpático e acolhedor para os visitantes. Via-o muitas vezes assomar ao portão e esgueirar-se sorrateiramente para a rua e acompanhar as correrias descuidadas das crianças que com ele partilhavam o espaço familiar. Mas se aquela casa foi bom porto para crianças e adultos, não foi certamente para aquele simpático cachorro. Porque um dia o Nike foi expulso de casa. Justificação válida, nenhuma. Foi escorraçado porque sim e pronto!
Há dois anos que o Nike vive na rua. Estranhamente nunca se afastou da casa que foi o seu lar durante anos e sempre continua a manifestar alegria quando se cruza com os que o escorraçaram. Que lição de nobreza! Sobrevive à custa de esmolas, com o que lhe dão, quando lhe dão. Restos de lixo... Sofre o frio e a chuva do Inverno e a sede na canícula do Verão.
Está velho e doente, que a vida foi madrasta. Carente de um carinho e de um afago de criança... o seu destino parece traçado.  Talvez "adormecer" para sempre num acto de misericórdia.  que ele é filho de um Deus menor... A menos que encontre, com urgência, um lar que o acolha, que ele é dócil e bom companheiro. Nada pede em troca... apenas Amor e um pouco de nada, que a vida e os homens ensinaram-no a viver com pouco...